17 de abril de 2012

INTERVIR - Apelar à abolição dos pesticidas


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Com a chegada da Primavera, as autarquias iniciam a aplicação de pesticidas em áreas públicas.


No entanto, isto leva à poluição do ambiente e da água com esses produtos, à destruição de espécies importantes para os ecossistemas (por exemplo, as abelhas) e pode originar intoxicações em pessoas e animais que brinquem ou passeiem nos parques tratados!

 

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Seja uma voz activa na sua comunidade e alerte todos para este perigo. Juntem-se e dirijam-se às juntas de freguesia e autarquias, exigindo que se acabe com o "Verde contaminado" das cidades!
Para que todos possam usufruir dos espaços verdes urbanos em segurança.




Anexo fica, a título de exemplo, uma carta enviada por uma cidadã preocupada ao presidente da junta de freguesia da sua área de residência:

"4 de Abril de 2010

Refª.: Aplicação do herbicida „Spasor“ nas bermas da fregusia

Caro Sr. Presidente da Junta de freguesia,
recebi a sua carta de 15/6/2010 em resposta à minha primeira carta, que desde já agradeço. Em especial aprecio a clareza e a informação detalhada sobre o herbicida usado contra a vegetação, que cresce nas bermas. A clareza e a transparência são qualidades muito positivas na política de hoje.

No entanto, lamento ter que discordar da utlização do herbicida. Tenho conhecimento que dezenas e talvez centenas de freguesias por esse país fora, utilizam herbicida. Essa situação é deveras preocupante, porque não está de forma alguma garantida a inocuidade desse herbicida.

É vendido apenas com uma autorização provisória (autorização de venda provisória nº 0044, válida até 2016, emitida pela Direcção Geral de Protecção das Culturas). Isto indica que o produto está ainda numa fase de experiência e que ainda é desconhecido o seu verdadeiro impacto ambiental. Portugal poderá estar a ser uma „cobaia“.

É a própria empresa que comercializa o herbicida, a Manuquímica, que emitiu o Certificado de Compatibilidade Ambiental. Isso é preocupante. Terá o herbicida sido devidamente analizado e testado sobre a sua verdadeira toxicidade por algum instituto português independente? Tudo indica que não. Que resíduos tóxicos permanecem no solo e na água sem se degradarem e por quanto tempo?

O herbicida „Spasor“ é produzido pela Monsanto Company, o que constitui um novo factor muitíssimo preocupante. A Monsanto é tristemente conhecida por propagar e vender 90% sementes OGM (organismos geneticamente modificados) Também foi a Monsanto que desenvolveu tóxicos catastróficos como o „agent orange“.

O herbicida poderá estar a poluir milhões de metros cúbicos de água, que entrarão nos lençois friáticos e nas reservas de água potável e de consumo. Que água iremos beber daqui a alguns anos? Será a Monsanto, que nos vai vender água potável?

A ficha técnica menciona sob a alínea, Riscos e Precauções: „ Manter fora do alcance das crianças; não comer nem beber durante a aplicação; não respirar os vapores; em caso de ingestão consultar imediatamente o médico e mostrar-lhe a embalagem ou o rótulo.“ Isso significa que após aplicação, crianças, adultos e animais domésticos se devem afastar das bermas das ruas, pois as mesmas são tóxicas.

Gostaria de mencionar ainda que, as plantas que crescem nas bermas não são infestantes, mas sim plantas que crescem ali naturalmente, não são pragas nem parasitas.

Recordo também que a aplicação de herbicida não é a mais económica, pois exige mais mão-de-obra, que a máquina de cortar ervas, que é a alternativa ao herbicida. A freguesia e o município já adquiriram estas máquinas, que estão paradas.

POR FAVOR NÃO MATE AS FLORES, QUE ESTÃO A CRESCER, NÃO DESTRUA O VERDE, TRANSFORMANDO AS BERMAS NO NEGRO DA MORTE.

POR FAVOR PENSE NOS NOSSOS FILHOS, NETOS E NAS GERAÇÕES QUE ESTÃO PARA VIR. AJUDE A CRIAR UM FUTURO BOM PARA ELES.

CONTRIBUA PARA QUE AQUELES QUE HOJE SÃO CRIANÇAS O RECORDEM COMO O PRESIDENTE DA JUNTA QUE PROTEGEU A NATUREZA.

Por favor não deite herbicida à porta de minha casa, porque este mata também plantas dentro do meu jardim e provoca a erosão do declive habitado por trevos.

São estes os meus pedidos.
Com muitos cumprimentos subscrevo-me"

3 comentários:

  1. Olá Sónia

    Excelente post, excelente sugestão! Esta vai parar ao blogue Sustentabilidade é Acção mais dia menos dia... e, a carta, com algumas adaptações e modificações, provavelmente vai parar a 49 freguesias ;)

    A carta é ótima, mas parece-me um pouco otimista demais... é que há 4260 freguesias e se não chegar ao milhar a usar herbicidas, já não era mau de todo!

    Obrigada pelo trabalho e pela dica :)

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    1. Olá Manuela, tens razão já não bastava os lavradores encherem os campos de herbicida agora também temos as câmaras e juntas a fazer o mesmo.
      Era preferível descerem o I M I e cada morador limpava junto da propriedade.

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    2. Manuel, excelente sugestão!
      E evitava-se os envenenamentos dos animais domésticos que passeiam na rua e de crianças que brincam com as plantas!

      Manuela, como correu o envio da carta?
      Eu esqueci-me de enviar logo no início do ano, para evitar as pulverizações que já ocorreram no fim de Janeiro, mas a ver se não falho a enviar em Março, para não tornarem a fazer antes do Verão - ou, pelo menos, fazerem-no de forma consciente (mesmo que não seja uma coisa boa, ao menos que saibam o mal que fazem!).

      Boa semana aos dois!

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