14 de junho de 2013

Comer plantas selvagens - Ançarinha branca (Chenopodium album)

É infindável a lista de plantas que nascem espontâneamente por todo o lado e que podem ser utilizadas para fins medicinais. Mas também há muitas plantas espontâneas que são comestíveis, e que nos "infestam" as nossas hortas. Não gosto de lhe chamar daninhas, porque todas elas têm a sua função, mas lá que algumas são danadas, são! Um pouco de conhecimento faz toda a diferença.

Aos poucos vou estudando e aprendendo com quem sabe a conhecer as plantas selvagens comestíveis, e já experimentei a ançarinha-branca (salteada), a beldroega (sopa e salada), o dente-de-leão (salada). A seguir, hei-de experimentar a sopa de urtiga (para já tenho-lhe dado outro uso),  o saramago e até a labaça, que este ano está mesmo uma praga lá na quinta.

A Ançarinha-branca (Chenopodium album), também conhecida como falsa-erva-de-santa-maria, quenopódio ou espinafre-selvagem, é uma planta anual que começa agora em junho a nascer por tudo quanto é lado da horta, com uma força espantosa, e, se a deixar crescer, chega a atingir 1 metro de altura em pouco tempo.

Pois este ano, em vez de lutar com a planta, deixo-a crescer um pouco e depois arranco, cozinho e como-a. E é uma delícia.

A seguir, receita de ançarinha branca salteada que o meu tio José Alberto me deu. A receita é rápida e idêntica a grelos salteados, mas com a particularidade de cozer as folhas de ançarinha-branca em duas águas:





- Escolher as folhas tenras e lavar bem;
- Mergulhar em água a  ferver e deixar ferver 2 minutos;
- Escorrer e voltar a mergulhar em nova água a ferver, desta vez com um pouco de sal, e deixar ferver mais 2 minutos;
- Voltar a escorrer e saltear numa frigideira com azeite e alho picado.
- Servir

Mais alguns usos e receitas de plantas espontâneas comestíveis nos links:


28 de maio de 2013

Construção - Reutilizar materiais e usar recursos locais

"Paredes de pneus, terra e latas; recolha de águas pluviais para usos diários; aproveitamento da luz solar para aquecimento de águas e das habitações; uso de coberturas ajardinadas melhorando a climatização das habitações e aumentando a área de solo permeável; espaços exteriores com a reutilização de diversos materiais, entre outros."

Esta é a descrição que consta na página do Facebook da "Casa Ecofixe" (e donde foram retiradas as imagens), uma moradia que um jovem casal está a construir na na freguesia de Alvarelhos, concelho daTrofa.

As principais motivações para a escolha desta técnica construtiva foram o custo inferior ao da construção tradicional, a procura por um tipo de construção sustentável, através da aplicação de materiais reutilizados e reciclados, e do uso de materiais locais, disponíveis nas proximidades (num raio de poucos quilómetros), e também a eficiência energética, através da minimização dos gastos energéticos futuros e da maior autonomia.

Entre as dificuldades que apareceram, pois a ideia surgiu há já alguns anos, esteve a demora em  arranjar um construtor que abraçasse o projeto, mas acabou formando-se uma empresa de construção para o efeito.



O projeto é da autoria do arquiteto João Pereira e da arquiteta paisagista Graça Silva, e tem tido assessoria técnica na execução do    arquiteto Armindo Pereira de Magalhães, de V. N. Famalicão.

Esta construção é baseada no conceito "Earthsip", desenvolvido por Michael Reynolds desde cerca de 1970.

Embora já existam vários casos de moradias em construção ecológica, espero que o destaque dado a este caso nos meios de comunicação sirva para que se comece a perceber que há muitas possibilidades de construção para além do betão e do cimento, e muitas delas são bem mais sustentáveis e económicas.

Mais sobre a história desta casa em  O Notícias da Trofa, em Studio Roulette e em Público P3, e vídeos na TrofaTV e em RTP notícias


Nota: este artigo é semelhante ao publicado no blogue Sustentabilidade é Acção, em 26/4/2013

20 de maio de 2013

Intervir - Pelo direito à ÁGUA de todos

Um bem tão precioso como a água, não pode ser objeto de lucro, cobiça ou ganância.  

Em Portugal, a legislação tem vindo a ser alterada, aos poucos e quase subrepticiamente, para permitir a privatização da água.

Está nas nossas mãos impedir que a água seja privatizada. 

Se nada fizermos, em breve veremos a água privatizada. E os exemplos pelo mundo fora demonstram o erro crasso que é privatizar a água. Alguns, já perceberam e voltaram a remunicipalizá-la, embora com enormes custos. Outros ainda acham que estão de mãos atadas.

Pela água de todos, veja, ouça, pense e aja!  Manifeste-se e assine:



JUNTOS, TEMOS MAIS FORÇA!

8 de maio de 2013

Joaninhas - preciosa ajuda na agricultura biológica

Imagem de Wikimedia
Larva de joaninha-dos-sete-pontos (coccinella septempunctata), uma das cerca de 5000 espécies de joaninhas, e a mais comum na Europa.

Depois da fase larvar, a joaninha passa pelo estádio imóvel de pupa, normalmente agarrada a uma folha ou caule e eclode com a forma adulta, mas amarela. Depois vai alaranjando e ganhando as pintas até ficar com o aspecto final da joaninha dos sete pontos,

As joaninhas são predadoras vorazes de pequenos insetos, como pulgões, moscas da fruta, piolhos das folhas e ácaros, tanto em larva como adulta. Uma joaninha pode comer mais de 200 pulgões por dia, embora também se alimentem de néctar e folhas - são omnívoras.

Por esse motivo, são preciosas como auxiliares em agricultura biológica, mas são muito sensíveis aos pesticidas usados na agricultura convencional, por isso aí não aparecem.
Imagem de Wikipedia

Metamorfose das joaninhas:
http://youtu.be/GLMZI8_69bg
http://youtu.be/daOBpw4-jXA

Mais em:
http://diariodebiologia.com/2010/02/que-bicho-e-esse-5/
http://www.ninha.bio.br/biologia/joaninhas.html

Conheço as joaninhas adultas desde criança, mas foi preciso começar a minha horta (biológica) em 2011 para conhecer as larvas de joaninha. Quando as vi, a minha reacção foi "mas que bicho é este, rastejante, cinzento e com manchas cor de salmão?" e só fiquei a saber depois de pesquisar. 

3 de maio de 2013

INTERVIR_Pelas Sementes Livres!!!

"No próximo dia 6 de maio o Parlamento Europeu irá votar uma diretiva intitulada Lei das Sementes. Esta lei promove a obrigação de registar toda e qualquer variedade de planta de cultivo, mesmo as utilizadas em hortas familiares, por agricultores tradicionais ou em mercados locais, acarretando custos e processos administrativos proibitivos para a produção em pequena escala, discriminando severamente as sementes e material de propagação de plantas de polinização aberta, regionais e tradicionais, a favor das sementes industriais e dos operadores corporativos.
sementeslivres_titom_web_high
Imagem retirada daqui
Neste momento está em curso a Campanha pelas Sementes Livres em todos os Estados-Membros da União Europeia. Em Portugal a campanha é dinamizada pelo Campo Aberto, GAIA, Movimento Pró-Informação para Cidadania e Ambiente, Plataforma Transgénicos Fora e Quercus, para além de contar já com várias dezenas de subscritores."
in Drops

"Unindo cidadãos preocupados, agricultores, criadores independentes e organizações e associações sem fins lucrativos por toda a Europa, esta campanha visa inverter o rumo da agricultura na Europa, onde os modos de produção intensivos se sobrepõem cada vez mais à agricultura tradicional e de pequena escala e onde as variedades agrícolas e as próprias sementes, a base da vida, estão a ser retiradas da esfera comum e entregues nas mãos de multinacionais do agro-negócio. A expressão mais recente desta tendência é a legislação a ser proposta pela Comissão Europeia para restringir a livre reprodução e circulação de sementes, fechar variedades de plantas agrícolas anteriormente pertencendo ao bem comum em patentes e ilegalizar as variedades não registadas. A nova 'Lei das Sementes' visa retirar o papel de curador da semente ao agricultor, papel esse que desempenhou, com proveito para toda a humanidade, desde o nascimento da agricultura e da civilização há 10.000 anos!"
in GAIA

A recolha, troca e venda de sementes devem ser permitidas a todos e não apenas a grandes empresas!

Assinem esta petição, subscrevam esta carta aberta ao Presidente da Comissão Europeia e/ou enviem vocês mesmos uma adaptação dessa carta a jose-manuel.barroso@ec.europa.eu., para rejeitar a proposta para Lei das Sementes, em nome da soberania alimentar!

26 de abril de 2013

Semear e Germinar

Já tem bastantes sementes, seja porque as recolheu ou porque as trocou/recebeu num Encontro de Sementes como este, e quer saber o que fazer com elas?

Aqui vão algumas sugestões:

SEMEAR
1. Prepare um recipiente pequeno (copo de iogurte, etc.), furando o seu fundo para garantir uma boa drenagem da água da rega;

 
2. Segure o copo na palma da sua mão e, com atenção para que não saia pelo fundo, coloque uma mistura de terra e composto [se tiver do que resulta da compostagem dos seus próprios resíduos orgânicos, melhor ainda! :-) ] quase até ao topo do copo - inicialmente pressione um pouco a terra, pois a compactação diminui a perda de solo pelo buraco de drenagem, mas depois deixe-a bem solta, para que as sementes tenham por onde lançar as suas raízes e germinar;




3. Com um dedo, faça buracos na terra e lá coloque as sementes - se forem grandinhas, coloque apenas uma em cada buraco, não ultrapassando 5 por copo no total e, se forem pequeninas, coloque 3-5 em cada buraco, num total de 5 buracos por copo, de modo a que elas tenham espaço para crescer;

 


4. Cubra as sementes levemente com um pouco da mistura de terra e composto, regue com um pouco de água, sem levantar muito solo e sem o compactar, e coloque o copo num local iluminado, mas não demasiado quente ou frio;

5. Regue gentilmente todos os dias de modo a manter o solo mole para que a semente possa germinar e despontar. Quando começarem a surgir plantas, evite derrubá-las com a água da rega;



 6. Depois pode transplantá-las para um vaso ou directamente para um jardim. 


Para TRANSPLANTAR para um vaso:
- encha o vaso com uma mistura de terra e composto- abra um buraco do tamanho do copo de iogurte; 
- com a terra seca, vire o copo de iogurte ao contrário e, gentilmente, empurre a terra pelo orifício no fundo do copo com o dedo, amparando o torrão de terra com cuidado para não danificar a(s) planta(s);
- coloque o torrão no buraco, calcando ligeiramente a terra em redor; 
regue diariamente e veja-a(s) crescer!




GERMINAR

Pode optar por consumir as sementes germinando-as, isto é, fazendo-as despontar e ingerindo os rebentos. Isto torna-as de muito mais fácil digestão e óptimas para colocar em saladas.

Aprenda aqui mais sobre isso e não se esqueça: apesar de existirem frascos próprios para o efeito, pode (re)utilizar um frasco de vidro de boca larga que tenha em casa e colocar-lhe uma simples rede por cima! ;-)

Imagem retirada daqui

23 de abril de 2013

CONSUMO: Compre local e nacional!

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"Ser sustentável" é ter consciência que todas as nossas actividades têm impacto na Natureza e que devemos minimizar esse impacto ao máximo, vivendo com um estilo de vida que se baseia no consumo consciente: consumir o que está disponível, sem prejuízo para o meio ambiente ou para a comunidade.


Com isso em mente, comprende-se perfeitamente que comprar produtos locais ou, no máximo, nacionais, é ter um comportamento de consumo consciente e sustentável.

Vejamos:

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- quanto mais longe um produto viaja do produtor ao consumidor, mais polui e, como tal, menos ecológico é. A poluição derivada do transporte de produtos locais e nacionais é MUITO menor que a de produtos importados, pois os produtores locais e nacionais estão bem perto de nós; por exemplo, a viagem das bananas da Madeira para qualquer ponto do território nacional é MUITO menor que a das bananas de qualquer dos países americanos que a produzem!

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- quanto mais tempo um produto demora a chegar do produtor às nossas mãos, mais formas artificiais de o manter fresco são usadas. Por esta razão, devemos privilegiar os produtos frescos vendidos nos mercados e feiras e não os importados aos quais são aplicados, muitas vezes, conservantes ou técnicas de refrigeração prejudiciais à qualidade do produto e até mesmo à nossa saúde!


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- quanto maior a viagem que um produto tenha que fazer do produtor ao consumidor, maior será a necessidade de um correcto acondicionamento e, como tal, mais embalagens terá. Quanto mais material envolver o produto que desejamos, maior será o desperdício de material e, apesar de, regra geral, o podermos reciclar, recursos valiosos já terão sido desperdiçados na sua produção.
[veja mais aqui e aqui, por exemplo]


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- os produtores em "larga escala" tendem a usar mais produtos químicos (pesticidas, conservantes, etc.) que os produtores locais, com produções "familiares". Mesmo que legumes ou ovos vendidos no mercado ou da vizinha não tenham etiqueta de "biológicos", provavelmente inserir-se-ão nessa classificação, tornando-os mais saudáveis e menos nocivos para o ambiente (e para quem os consome) que os vendidos em grandes superfícies.
[veja mais aqui e aqui, por exemplo]
Imagem retirada daqui


- ao comprarmos legumes e frutas a produtores nacionais, estamos a incentivar a agricultura portuguesa e, indirectamente, a diminuir a desertificação do interior e a ajudar a prevenir incêndios. A maior parte do interior do país é composto de zonas rurais e, se a agricultura não for rentável e não existirem alternativas económicas viáveis (p.e., turismo rural), as populações dirigem-se para os grandes centros urbanos, votando ao abandono grande parte do território nacional.

Imagem retirada daqui



- ao comprarmos produtos de Artesanato Português, estamos a manter tradições seculares e a promover a nossa identidade! Além de estarmos a dar uma forma de subsistência digna a um concidadão e, por exemplo, a oferecer prendas com significado e história.





Não é à toa que, em muitos livros e sites, se refere fazer compras no comércio local como uma das primeiras medidas amigas do ambiente que se pode adoptar, tanto por ser das mais fáceis, como das que, com um mínimo de esforço, produz maiores resultados.

Devemos esforçar-nos por diminuir a nossa pegada ecológica (impacto negativo que temos no meio ambiente), por isso e por tudo o que foi dito acima... comprem local e nacional!!! Além de protegerem o meio ambiente, ajudam a comunidade e os vossos concidadãos!!!

E lembrem-se: "Sustentabilidade" não é apenas uma palavra bonita, mas sim uma atitude que importa ter. Sustentabilidade é Acção!

22 de abril de 2013

Dia da Terra

Hoje, dia 22 de Abril, celebra-se o Dia da Terra.


Neste dia, celebra-se a existência do planeta Terra e de toda a vida e energia que ela contém.
Buckminster Fuller chamou-lhe uma nave espacial, a Nave Espacial Terra, onde todos nós (seres humanos, restantes animais, plantas, etc.) vogamos através do espaço.



Por isso, para se aperceber melhor do TUDO o que está a comemorar, recomendo que veja o filme, "HOME", onde poderá ver a Terra como nunca a viu antes.

versão original aqui