22 de maio de 2020

52 Gestos para a Biodiversidade

«A 22 de maio comemora-se o Dia Internacional da Biodiversidade proclamado pelas Nações Unidas com o objetivo de aumentar o grau de consciencialização e conhecimentos acerca da biodiversidade» (INCF)


«A biodiversidade é a base para a vida e para os serviços essenciais prestados pelos ecossistemas. É, pois, a biodiversidade que está subjacente à subsistência das populações e ao desenvolvimento sustentável em todas as áreas de atividade, incluindo os setores económicos como a agricultura, silvicultura, pesca e turismo, entre outros. Ao travar a perda de biodiversidade, estamos a investir nas pessoas, suas vidas e seu bem-estar.»  (CBD - Convention on Biological Diversity)

Estando na década das Nações Unidas para a Biodiversidade, deixo aqui um guia com 52 dicas para diminuir a perda de biodiversidade, que vem ocorrendo a escalas preocupantes.  por isso dê uma espreitadela. A seguir, algumas das dicas (só o título, consulte o guia para encontrar a explicação), e o prefácio é transcrito mais abaixo:

  • Apoio as associações de proteção da natureza.
  • Não incomodo os animais durante os meus passeios.
  • Subscrevo um cabaz biológico.
  • Apoio um projeto de reflorestação.
  • Não deito detritos para o chão.
  • Desconfio do «greenwashing».
  • Uso produtos domésticos não poluentes.
  • Passeio respeitando a natureza.
  • Escolho cosméticos biológicos.
  • Torno-me ecovoluntário.
  • Reduzo o meu consumo de carne.
  • Não alimento as «ilhas de resíduos» no alto mar.
  • Não compro vestuário que necessite de limpeza a seco.
  • Não introduzo espécies exóticas na natureza.
  • Reduzo o meu consumo de papel e cartão.
  • Compro o meu peixe de forma responsável (veja também  aqui como e descarregue o Cartão SOS Oceano)
  •  ...

«A biodiversidade – a variedade de formas de vida na Terra – torna o nosso planeta habitável e bonito. Muitos de nós olham para a natureza como fonte de prazer, inspiração ou lazer.  Também dependemos dela para a alimentação, a energia, as matérias-primas, o ar e a água, sendo estes os elementos que tornam possível a vida tal como a conhecemos e que sustentam o desenvolvimento das nossas economias.

Borboleta-zebra (Iphiclides feisthamelii) nas Zinias (Zinnia)
No entanto, apesar do seu valor ímpar, tomamos muitas vezes a natureza como um dado adquirido. As pressões exercidas sobre muitos sistemas naturais têm vindo a aumentar, fazendo com que funcionem de forma menos eficaz ou levando-os mesmo até ao limiar do colapso.  Aquilo que designamos por perda de biodiversidade é uma situação demasiado comum.

Daí o empenho da União Europeia em travar a perda de biodiversidade. Ao longo dos últimos 25 anos, a UE criou uma rede de 26 000 áreas protegidas dentro das suas fronteiras, que abrange mais de 850 000 km2.  Esta rede, conhecida como Natura 2000, é a maior rede de áreas protegidas no mundo, demonstrando assim a importância que damos à biodiversidade.  Estamos determinados a reforçar este programa de referência com medidas adicionais a longo prazo. E todos nós podemos fazer mais para ajudar.  

Todos temos poder para ajudar a proteger a biodiversidade e precisamos que todos participem. Cada um de nós pode introduzir pequenas alterações nos hábitos diários sem afectar drasticamente o seu estilo de vida. Quando combinadas, estas pequenas alterações podem ajudar.

Esperamos que as sugestões contidas neste guia prático lhe permitam ajudar a marcar a diferença. Comer alimentos locais sazonais, diminuir os desperdícios de água, efectuar a compostagem dos resíduos alimentares ou ficar a conhecer melhor as espécies animais e vegetais que vivem nas nossas áreas locais…Se todos seguirmos alguns destes passos simples, faremos uma grande diferença na preservação dos recursos naturais para as gerações futuras.7


Janez Potočnik
Comissário Europeu para o Ambiente


Fonte: Guia 52 Gestos para a Biodiversidade, 2011 (www.jedonnevieamaplanete.be)


Adaptado da mensagem publicada no blogue Sustentabilidade é Acção a 22 de maio de 2016

17 de maio de 2020

É P’ra Amanhã

"Como podemos produzir alimentos de forma a que todos, pessoas e planeta, saiam beneficiados?"

Foi com esta pergunta que arrancámos a nossa viagem à procura das melhores soluções.
Juntem-se a nós e descubram, neste primeiro episódio, algumas das pessoas inspiradoras que já marcam a diferença em torno da alimentação.»

Estreou hoje, 17 de maio, às 8h15, na SIC, o primeiro episódio da série documental É P'RA AMANHÃ (veja aqui).

«É P’ra Amanhã é uma série documental, dividida em vários episódios de temáticas-chave da sustentabilidade, que espera inspirar pelo exemplo e para mostrar já como pode ser o nosso mundo de amanhã!

Somos um grupo de amigos de diferentes áreas com uma questão em comum: um futuro melhor é possível?

Cansados de ficar em casa a assistir a notícias sobre o perigo e urgência das alterações climáticas, decidimos partir em viagem ao encontro das pessoas e iniciativas em Portugal que trabalham diariamente para construir um futuro mais sustentável.»

Fontes: É P’ra Amanhãhttps://www.facebook.com/epraamanhadoc/



Mensagem publicada em Sustentabilidade é Acção

11 de maio de 2020

5G - A Saúde Pública em risco


Não é só no Algarve que a saúde pública está em risco devido às redes 5G. Pouco se sabe ainda sobre os efeitos do 5G, os estudos sérios que têm aparecido indicam que há efeitos nocivos em insetos e plantas, pelo menos. E recomenda o princípio da precaução.  Mas há que ache que sabe tudo, o que aliado à ambição de certos negócios negócios, é poderoso... e muito perigoso!


As primeiras cobaias portuguesas estão em Matosinhos, a primeira cidade em Portugal com cobertura 5G.  Com muito orgulho da NOS e dos governantes.

Já falamos várias vezes desta ameaça à saúde e ao ambiente, e já apelamos à assinatura da petição, e voltamos a insistir:

PETIÇÃO - PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO (MORATÓRIA) EM RELAÇÃO AO 5G

Felizmente, no Algarve, está a aparecer um movimento de cidadãos atentos ao problema! 

«
COMUNICADO 11-05-2020
5G - A Saúde Pública em risco no Algarve

Movimento de cidadãos algarvios demanda a suspensão imediata do processo de instalação da denominada tecnologia de telecomunicações de quinta geração na região

O movimento de cidadãos de âmbito regional “Stop 5G Algarve” exige uma discussão pública séria e informativa, baseada em ciência isenta. Promete ação jurídica em tribunal, assim como ação cívica no sentido de promover esclarecimento junto da população. Apelam pela participação da população e pela mobilização da sociedade civil em torno da questão a qual consideram de elevado risco para a saúde pública.

Conhece as vantagens e desvantagens do 5G? Concede a si mesmo o direito democrático e Humano de decidir?

O estado de pandemia actual que estamos a viver empurrou de forma acentuada a sociedade para a transição digital. A nova “normalidade” exige distanciamento social e pressupõe uma necessária optimização de todo o tipo de actividade Humana. Gradualmente assistimos no “novo quotidiano” à introdução de objetos e equipamentos munidos de inteligência artificial, a chamada “internet das coisas”, pela via da qual se impõe uma autêntica monitorização social global. A quinta geração de telecomunicações, mais conhecida por 5G do acrónimo inglês “fifth generation”, apresenta-se como a peça fundamental para o funcionamento da nova ordem digital Mundial.

Neste sentido, os cidadãos vêm-se obrigatoriamente empurrados a obedecer e a se adaptar às circunstâncias de um novo modelo civilizacional que não foi publicamente discutido e democraticamente decidido.

Levantam-se claramente questões de saúde pública, de moral e liberdade humana, assim como da actual e estructural mudança do funcionamento das democracias e sociedades do Mundo.

Em Portugal, as Empresas de telecomunicações, diversos órgãos de comunicação social e o próprio governo português têm vindo a promover junto do grande público a implementação da tecnologia de 5G publicitando apenas os seus possíveis benefícios. No entanto, não está a ser considerado o gigantesco leque de evidências científicas que aponta efeitos biológicos negativos para a saúde Humana quando exposta à radiação eletromagnética artificial polarizada, que é utilizada nas telecomunicações.

São várias as questões levantadas por cientistas e cidadãos um pouco por todo o Mundo. É sobretudo o aumento da intensidade do sinal e os efeitos não-térmicos associados que justifica a preocupação que os cientistas têm em relação ao 5G e à chamada “internet das coisas”.
Neste sentido, os valores seguros operacionais recomendados pela Building Biology Evaluation Guide-Lines são de 0,1 micro watt por metro quadrado. No entanto, o 5G operará, com intensidades de 1,0 watt por metro quadrado, ou seja, 10 milhões de vezes acima do valor considerado seguro recomendado.

Os efeitos não-térmicos da radiação eletromagnética artificial polarizada estão amplamente demonstrados na literatura científica. Sendo do conhecimento científico que a emissão altamente pulsada das ondas electromagnéticas das telecomunicações, que vai caracterizar o 5G, potenciam ainda mais os prejuízos para a saúde humana. Todavia, por causa do conflito de interesses que as entidades reguladoras mantêm com a indústria tecnológica - uma vez que tal consideração factual iria inviabilizar a esmagadora maioria dos equipamentos que hoje temos e das várias infraestrutura instaladas - as grandes entidades reguladoras mundiais como a ICNIRP ou a FCC acabam por manter os standards que usam desde a década de 90 e optam por ignorar todos os efeitos não-térmicos da radiação artificial polarizada, altamente disruptiva para a saúde Humana, animal e ambiental.

Há mais de cinco décadas que estudos médicos e científicos comprovam os efeitos negativos imediatos mas também cumulativos da exposição humana à radiação eletromagnética artificial, mesmo a níveis baixos. São apontados efeitos biológicos ao nível da saúde humana como: dor de cabeça, disrupções do sistema digestivo e cardiovascular, patologias neurológicas ou descontrole funcional do sistema nervoso central, esclerose, infertilidade, depressão ou suicídio, etc,. A OMS considerou timidamente em 2011 a radiação eletromagnética artificial como potencialmente cancerígeno.

É de notar que esta tecnologia está neste momento a ser implementada em Portugal, como por todo o Mundo, sem que seja levada a cabo uma séria discussão pública sobre o assunto e sem que sejam consideradas evidências científicas fulcrais para a saúde pública.

Um dos mais significativos destes estudos é o que foi elaborado pelo “National Toxicology Program” do Departamento de Saúde dos Estados Unidos da América. Este levou a cabo um projecto de 30 milhões de dólares designado por “Cell Phone Radio Frequency Radiation”, onde ratos foram expostos a radiação electromagnética das telecomunicações, similares às usadas nas segunda e terceira gerações, 2G e 3G. Os resultados do estudo foram anunciados em 2018 e dizem, entre outras coisas, o seguinte: “existem evidências claras de que ratazanas expostas a altos níveis de radiação de radiofrequência, como os usados nos telemóveis 2G e 3G, desenvolveram tumores cardíacos. Há também alguma evidência de tumores no cérebro e na glândula adrenal de ratazanas macho expostos. Para ratazanas fêmea e ratos macho e fêmea, a evidência foi equívoca quanto aos cancros observados estarem associados à exposição à radiação de radiofrequência.”

Durante o recente "estado de emergência" e enquanto a consulta pública referente ao leilão de operadoras 5G se encontrava adiada, foram instaladas por todo o país candeeiros de novas lâmpadas LED que incorporam pequenas cúpulas, que são na realidade antenas, preparadas para receber e retransmitir sinal de ondas milimétricas 5G (usando a banda de frequências de 1800 MHz). Estima-se que venham a ser instaladas 800 micro antenas por quilómetro quadrado, o equivalente a 8 antenas por pessoa em Portugal (considerando uma densidade populacional de 120 pessoas por quilómetro quadrado segundo os sensos de 2011). A densidade de antenas emissoras de radiação em alta frequência e a proximidade das mesmas junto de todos nós é muito preocupante uma vez que nos expõe continuamente, e sem escapatória, a este tipo de radiação altamente prejudicial.

Frisamos que nenhuma cidade pode na verdade considerar-se Cidade "Inteligente" ou Smart City se tal inclui tamanha poluição de radiação danosa e perigosa como é comprovadamente o 5G.

São várias as cidades do Mundo que já baniram o 5G. Como o Município de Bad Wiessee na Alemanha (Baviera, Novembro) – onde por unanimidade a implantação do 5G foi rejeitada, invocando o Princípio de Precaução. No Bangladesh o Supremo Tribunal emitiu 12 directrizes, incluindo a imposição de uma proibição da instalação de torres de telecomunicações nos telhados de áreas residenciais, instituições de ensino, hospitais, prisões, locais históricos, parques infantis e locais de culto.

Residentes e visitantes oriundos de várias nacionalidades têm procurado desde sempre o Algarve devido aos seus elevados padrões de saúde ambiental, livre de poluição industrial e de radiações nefastas.

Pedimos o bom senso dos autarcas algarvios, no sentido de integrar as evidências e proteger os algarvios e a região da danosa tecnologia 5G.
Solicitamos esclarecimentos junto dos dezesseis Municípios do Algarve, junto da Comunidade Intermunicipal do Algarve - Amal, e junto das entidades CCDR e DRS.

Pedimos que as entidades públicas de responsabilidade sobre este assunto respondam devidamente a todas as cartas, dúvidas e avisos que todos os cidadãos e cientistas estão a enviar.
Exigimos honestidade moral, intelectual e científica por parte da ANACOM, a entidade reguladora em Portugal.
Não podemos aceitar a recente Resolução de Ministros de 21 de Abril de 2020 na qual o 5G nos é apresentado como uma "espécie" de desígnio nacional da nova transição digital.
Exigimos que o governo suspenda de imediato a implementação e teste da tecnologia 5G em Portugal. Demandamos a aplicação imediata do Princípio da Precaução e o fim deste atentado à saúde humana e da democracia Portuguesa..

PARTICIPA: 
A petição pública com 6.600 assinantes, MOPPE - PETIÇÃO DA PRECAUÇÃO (MORATÓRIA) EM RELAÇÃO AO 5G, para deputados, membros das autarquias, autoridades, forças vivas da sociedade: 

Referências médicas e científicas:
1. O maior, mais extenso e longo estudo jamais realizado sobre frequências eletromagnéticas (https://bioinitiative.org/) concluiu que os "Bioefeitos são claramente estabelecidos de ocorrer com níveis de exposição muito baixos (efeitos não-térmicos) a campos eletromagnéticos e a radiações de radiofrequência.".
2. https://www.emf-portal.org/en   (portal da Universidade de Aachen, com milhares de estudos médicos revistos por pares)
3. O Freiburger Appeal, assinado por mais de 1.000 médicos é muito claro: http://freiburger-appell-2012.info/en/observations-findings.php    e as suas recomendações ainda mais claras, no entanto a evolução da situação tem sido o absoluto contrário http://freiburger-appell-2012.info/en/recommendations.php
4. https://emfscientist.org/
5. “Recent Research on Wireless Radiation and Electromagnetic Fields” Compilação com mais de 750 estudos cientificos. https://www.saferemr.com/2019/07/recent-research.html?fbclid=IwAR2I8XFXbYqChUUYnSsJtDW6PSTJd4e8ssM_8x0uLGTaGT4hFsEt9ThcsA

Documentação Parlamento Europeu:
1. The potential dangers of electromagnetic fields and their effect on the environment
http://assembly.coe.int/nw/xml/XRef/Xref-XML2HTML-en.asp?fileid=17994

2. Effects of 5G wireless communication on human health   https://www.europarl.europa.eu/thinktank/en/document.html?reference=EPRS_BRI%282020%29646172

11 de Maio de 2020,
O Movimento de Cidadãos STOP 5G Algarve.
»

Fonte:   STOP 5G Algarve

Mensagem publicada em Sustentabilidade é Acção

2 de maio de 2020

Sabe o que espera com a tecnologia 5G?

«Se considerarmos que com a tecnologia atual (3G e 4G) estamos expostos a níveis de radiação electromagnética milhares de vezes acima dos recomendáveis pelo “Building Biology Evaluation Guidelines”, com a tecnologia 5G ficaríamos expostos a níveis milhões de vezes acima do tolerável.

Será que vale a pena corrermos tantos riscos para termos downloads mais rápidos?»

Imagem obtida aqui
Este é um pequeno extrato do artigo "O que é a tecnologia 5G e quais os seus perigos" de Hugo Gonçalves Silva, Professor Auxiliar no Departamento de Física da Universidade de Évora, 21 Janeiro 2020, Jornal Económico.

Leia o artigo completo que cita muitas fontes baseadas em estudos científicos. A seguir, mais um breve extracto:

«O estudo dos perigos para a saúde humana da radiação electromagnética usada nas telecomunicações móveis não é novo. Pelo contrário é uma área da ciência bem estabelecida, com mais de cinco décadas de atividade, mas que só agora tem recebido atenção pública, dado os graves perigos que representa a quinta geração de telecomunicações, usualmente referida por 5G.

Existe extensa literatura a denunciar os variadíssimos perigos das telecomunicações móveis e é de estranhar que isto não seja do conhecimento dos centros tecnológicos que a estão a implementar e que, além disso, tal não seja transmitido à opinião pública. »

Uma das fontes referenciadas é a apresentação da Dra Erica Mallery-Blythe , médica e investigadora dos efeitos biológicos da radiação não ionizante, que ocorreu no dia 5 de julho de 2019 na cidade de Bath no Reino Unido, e que está abaixo incorporada (dá para colocar legendas com tradução).



Artigo publicado no blogue Sustentabilidade é Acção em 23/1/2020

1 de maio de 2020

Os Doze


Doze líderes espirituais de povos indígenas de várias partes do mundo e de sabedorias ancestrais juntaram-se em novembro de 2017 na sede da ONU em Nova Iorque. 

Este filme traz-nos as suas mensagens mais importantes.   
Que no fundo, se condensam numa única e mesma mensagem, profunda e simples; apenas a forma de expressão é diferente.

Convido-vos a ver o filme e a exprimir essa mensagem por vossas palavras, nos comentários.

«Os Doze é um documentário que dá voz às tradições da sabedoria através das palavras de doze Anciãos que se uniram em conselho da Organização das Nações Unidas em novembro de 2017. Este filme dá-lhes a oportunidade de dizerem a sua verdade e de deixar o mundo saber, para o benefício de todos

Veja  Os Doze  em:   https://vimeo.com/374476997

Abaixo ficam algumas imagens do filme, incluindo dos doze Anciãos.














Mensagem publicada em Sustentabilidade é Acção

27 de abril de 2020

A energia oculta da vida

«Será que todos os nossos problemas poderiam ser atribuídos a não entendermos como utilizar a energia oculta da vida?»



«Este é o nosso mundo.
Este é o mundo que criamos.
Há uma razão pela qual as coisas acontecem.
Há uma razão para termos o tipo de resultados que temos no nosso planeta.
Há uma razão pela qual os seres humanos se tornaram no que são.
Estamos a tentar fazer com que as coisas funcionem aqui na Terra sem realmente entender a mecânica que está subjacente.
E esse mal-entendido contínuo é responsável pelos desafios que temos agora e os ainda maiores desafios que vamos enfrentar no futuro.

Sabemos que toda a matéria, não apenas aqui na Terra, mas a que existe que existe em todo o Universo, se a juntássemos toda, caberia numa colher de chá.
Então, o que é tudo o resto?
O resto é espaço - espaço na forma de energia.
Essa energia tem uma estrutura natural.
Opera desde o infinitamente pequeno para o inimaginavelmente vasto.
Essa energia existe nas propriedades codificadas de expansão, leveza e harmonia.
Elas são os principais ingredientes de tudo o que nós valorizamos na vida.

Se pensar nos seus relacionamentos, amor, cuidado, bondade, compaixão, eles são construídos com esses três ingredientes.
Essa energia funciona de maneira confiável.
Não é caótica.
E as pequenas unidades de energia são capazes de replicar-se repetidamente, e cada vez que se replicam, elas são capazes de transferir a informação, a inteligência e a codificação de uma para outra.
Essa energia está constantemente a recalibrar, recebendo novas informações e recalibrando todo o sistema à luz dessa informação.

Mas como fazemos uso disso?
Como fazemos isso funcionar para nós?
As escolhas que fazemos refletem nosso relacionamento com essa energia oculta, elas refletem a extensão em que entendemos, até que ponto nós a utilizamos.
Como você experimenta o momento presente?
Como você sabe que está presente?
Muitos de vocês dirão "posso sentir alguma coisa".
O que você pode sentir quando está presente e está a perceber o momento presente?
Poderia ser essa a energia de que temos estado a falar?

Vamos dar um passo adiante.
Gostaria que todos tivessem um pensamento de boa vontade dirigido a alguém de quem você gosta.
Segure esse um pensamento de boa vontade.
O que acontece com essa energia no momento presente quando você começa a intenção nesse sentido?
O que acontece com as sensações que você sente e o "feedback" que recebe?

Essa é a sua experiência.
A sua experiência está lhe a mostrar a sua interação e o estado das coisas entre as suas escolhas e essa energia oculta.
Não temos apenas a escolha, temos a responsabilidade,
porque essa energia está-nos a responder a toda a hora.
Nós podemos interagir com isso.

Como seria o mundo se trabalhássemos em conjunto com essa energia oculta, não apensas em pequenas bolsas, mas como uma abordagem humanitária, generalizada e sistémica, de estar aqui?
uma abordagem responsável para estar aqui?
Precisamos de usar uma abordagem que realmente nos leve em direção ao futuro que nós queremos.

Agora depende de nós preservar o que nos foi dado e usá-lo com sabedoria.»

Fonte: Vídeo acima com texto de Jeddah Mali,   (tradução e legendas em português no vídeo enviadas por Sustentabilidade é Acção)

Publicado em Sustentabilidade é Acção

23 de abril de 2020

Planeta dos Humanos

O nosso caminho deve ser uma continua eliminação das nossas incoerências, medos e injustiças, mesmo que seja impossível eliminá-los completamente. E só a consciência nos permitirá fazer esse caminho.

O filme "Planeta dos Humanos" mostra de uma forma crua as incoerências dos humanos. Vejam quanta incoerência e reflitam. Mas lembrem-se, que a salvação da Humanidade vai precisar de todos, dos mais coerentes e dos mais incoerentes: urge o despertar de uma consciência global, através da união e não da separação - só assim poderemos sair do mau caminho e avançar no bom sentido.

Aliás, este novo coronavírus demonstrou que quando a humanidade se sente verdadeiramente ameaçada, toma medidas fortes. E as alterações climáticas são mais ameaçadoras do que a COVID-19. Há muito a fazer, de mil e uma  maneiras diferentes, mas também há muito, mesmo muito, a deixar de fazer.

Vejam o filme, reflitam, mas, por favor, não desanimem! (dá para colocar legendas e traduzir automaticamente)



«Michael Moore apresenta o "Planeta dos Humanos, um documentário que se atreve a dizer o que ninguém mais diz neste Dia da Terra - que estamos a perder a batalha para impedir as alterações climáticas no planeta Terra porque estamos seguindo líderes que nos levaram no caminho errado - vendendo o movimento verde para interesses de ricos e empresas americanas. Este filme é o alerta para a realidade que temos medo de enfrentar: que, no meio de um evento de extinção causado pelo homem, a resposta do movimento ambiental é pressionar por correções tecnológicas e curativos. É muito pouco, muito tarde.

Removida do debate está a única coisa que PODE nos salvar: colocar um limite na presença e consumo humanos,  que estão totalmente fora de controle. Por que não se considera isso o problema? Porque isso seria mau para os lucros, mau para os negócios. E nós, ambientalistas, caímos em ilusões, ilusões "verdes", que são tudo menos verdes, porque temos medo de que isso seja o fim - e depositamos todas as nossas esperanças em biomassa, turbinas eólicas e carros elétricos?

Nenhuma quantidade de baterias nos vai salvar, adverte o diretor Jeff Gibbs (ambientalista e co-produtor de "Fahrenheit 9/11" e "Bowling for Columbine"). Esse filme é urgente e imperdível, um ataque frontal total às nossas vacas sagradas, e têm a garantia de gerar raiva, debate e, esperançosamente, disposição para ver nossa sobrevivência de uma nova maneira - antes que seja tarde demais.»

Fonte: Filme no Youtube

(Publicado em Sustentabilidade é Acção, 23/4/2020)

21 de abril de 2020

A coroação (Charles Eisenstein)

Para assinalar o Dia da Terra, que se comemora há 50 anos no dia 22 de abril, trago aqui um excelente texto que nos coloca, entre outras, estas perguntas que nos fazem refletir:

Em que Terra queremos viver? numa Terra com humanos asséticos e sem natureza ou num ecossistema terrestre com a humanidade integrada? Que civilização queremos? do controle e do medo ou da compaixão e da solidariedade? É agora que vamos aprender com esta crise e aproveitar para criar o mundo que queremos?

Trata-se de um excerto do ensaio de Charles Einsenstein intitulado "The Coronation" - um ensaio longo mas é importante ler o texto todo para melhor entender. No original (em inglês) ou na tradução para português (por Fabio Marinho). Também disponível noutros idiomas  e em audio (inglês) - (ver aqui).

«A coroação

Durante anos, a normalidade foi distendida quase até o ponto de ruptura, uma corda cada vez mais esticada, pronta para que uma bicada do cisne negro a partisse em dois. Agora que a corda se rompeu, devemos amarrar as suas pontas uma à outra ou desfazer ainda mais as tranças penduradas para ver o que com elas poderemos tecer?

A Covid-19 mostra-nos que, quando a humanidade está unida por uma causa comum, é possível uma mudança fenomenalmente rápida. Nenhum dos problemas do mundo é tecnicamente difícil de resolver; eles têm a sua origem no desacordo humano. Em circunstâncias de coerência, os poderes criativos da humanidade são ilimitados. Há alguns meses, uma proposta para interromper as viagens aéreas comerciais teria parecido absurda. O mesmo se aplica às mudanças radicais que estão a decorrer nos nossos comportamento social e economia, assim como no que toca ao papel do governo nas nossas vidas. A Covid demonstra o poder da nossa vontade coletiva quando concordamos sobre o que é realmente importante. Numa situação de coerência, o que mais poderemos alcançar? O que queremos nós alcançar e que mundo devemos criar? Essa será sempre a pergunta suscitada por alguém que desperta para o seu poder.

A Covid-19 assemelha-se a uma intervenção de reabilitação que quebra o domínio viciante da normalidade. Interromper um hábito é torná-lo visível; é transformá-lo de uma compulsão numa escolha. Quando a crise terminar, poderemos ter a oportunidade de perguntar se queremos voltar ao normal ou se há algo que vimos durante essa interrupção nas rotinas que queremos trazer para o futuro. Podemos perguntar, após tantos terem perdido os seus empregos, se todos esses serão os empregos que o mundo mais precisa, e se os nossos trabalho e criatividade talvez possam ser mais bem aplicados noutras ocupações. Podemos perguntar, depois de um tempo sem isso, se realmente precisamos de tantas viagens aéreas, férias na Disneyworld ou feiras de carácter comercial. Que partes da economia queremos restaurar e de quais partes podemos conscientemente prescindir? E, focando numa área mais sombria, de tudo o que está correntemente a ser retirado - direitos civis, o direito de reunião, a soberania sobre os nossos corpos, encontros pessoais, abraços, apertos de mão e vida pública – quais desses elementos poderemos precisar de restaurar com recurso a políticas intencionais e vontade pessoal?
...

Seja o número final de mortos 50.000, 500.000 ou 5 milhões, vamos analisar outros números para poder estabelecer uma comparação. Não quero com isto dizer que a Covid não é tão nociva e que não devemos fazer nada. Mas pense comigo. No ano passado, de acordo com a FAO, cinco milhões de crianças em todo o mundo terão morrido de fome (entre 162 milhões que são atrofiadas e 51 milhões raquíticas). Este é um nível 200 vezes superior ao número atual das vítimas mortais da Covid-19, no entanto nenhum governo declarou estado de emergência ou pediu que alterássemos o nosso modo de vida para salvá-las. Também não vemos um estado comparável de alarme e de ação em torno do suicídio – a mera ponta de um iceberg de desespero e depressão – que mata mais de um milhão de pessoas por ano em todo o mundo, 50.000 só nos EUA. Ou a respeito dos casos de overdose, que matam 70.000 nos EUA, ou a epidemia de doenças autoimunes que afeta de 23,5 milhões (número do NIH) a 50 milhões (AARDA), ou de obesidade, que atinge mais de 100 milhões. Por que, aliás, não estamos tão empenhados em evitar o armagedão nuclear ou o colapso ecológico, mas, pelo contrário, buscamos opções que ampliam ainda mais esses mesmos perigos?

Claro, não defendo a ideia de que, uma vez que não mudámos os nossos hábitos para impedir que as crianças passem fome, então também não devemos alterá-los para a Covid. É justamente o contrário: se podemos mudar tão radicalmente face à pandemia atual, podemos fazê-lo também para essas outras situações. Perguntemo-nos, então, por que somos capazes de unificar a nossa vontade coletiva para conter este vírus, mas não para enfrentar outras ameaças graves à humanidade. Porque, até agora, a sociedade tem estado tão paralisada na sua trajetória até aqui?

A resposta é reveladora. Simplesmente, porque diante da fome no mundo, do vício, da autoimunidade, do suicídio ou do colapso ecológico, nós, como sociedade, não sabemos o que fazer. As nossas respostas a crises, que trazem consigo sempre algum tipo de controlo, não são muito eficazes para lidar com essas condições. Agora aparece uma epidemia contagiosa e, finalmente, podemos entrar em ação. É uma crise para a qual o controlo funciona: quarentenas, bloqueios, isolamento, lavagem das mãos, controlo de movimento, controlo de informações, controlo dos nossos corpos. Isso faz da Covid um receptáculo conveniente para os nossos medos mais rudimentares, um lugar para onde canalizar o nosso crescente sentimento de desamparo diante das mudanças que dominam o mundo. A atual pandemia é uma ameaça que sabemos como enfrentar. Ao contrário de tantos outros medos, a Covid-19 oferece um plano.
...


Há uma alternativa ao paraíso do controlo perfeito que a nossa civilização tenta alcançar há já tanto tempo. Ela retrocede tão rápido quanto progride, como uma miragem no horizonte. Sim, podemos prosseguir como até aqui no caminho em direção a mais isolamento, dominação e separação. Podemos normalizar altos níveis de separação e controlo, acreditar que são necessários para nos manter seguros e aceitar um mundo em que temos medo de estar próximos um do outro. Ou podemos tirar proveito desta pausa, desta quebra no normal, para entrar no caminho do encontro, do holismo, do restabelecimento das conexões perdidas, da reparação da comunidade e do retorno à rede da vida.

Devemos dobrar a proteção do eu separado ou aceitamos o convite para um mundo em que todos nós nos sintamos parte de um mesmo todo? Não é apenas na medicina que encontramos esta pergunta: ela visita-nos política e economicamente, e também nas nossas vidas pessoais. Tomemos, por exemplo, a questão da acumulação, que incorpora a ideia: "Não haverá o suficiente para todos, por isso vou garantir que haja o suficiente para mim". Uma resposta alternativa a esse dilema pode ser: "Alguns não têm o suficiente, então vou compartilhar o que tenho com eles". Estamos aqui para assumir o papel de sobreviventes ou de ajudantes? Para que serve a vida?
Numa escala maior, as pessoas estão a fazer perguntas que até agora estavam escondidas nas margens do ativismo. O que devemos fazer com os sem-abrigo? O que devemos fazer com as pessoas nas prisões? Nas favelas do Terceiro Mundo? O que devemos fazer com os desempregados? E todas as empregadas de hotel, os motoristas de Uber, os canalizadores e porteiros e motoristas de transportes públicos e caixas que não podem trabalhar a partir de casa? Agora, finalmente, florescem ideias como o perdão da dívida estudantil e o rendimento básico incondicional. A reflexão "Como podemos proteger os susceptíveis à Covid?" convida-nos à seguinte: "Como podemos cuidar das pessoas vulneráveis em geral?".

Este é o impulso que está a ser despertado em nós, independentemente da superficialidade das nossas opiniões sobre as gravidade e origem da Covid ou sobre a melhor política para lidar com ela. Esse impulso diz-nos: levemos a sério a ideia de cuidarmos uns dos outros. Lembremo-nos de como todos nós somos preciosos, de como a vida é preciosa. Façamos um inventário da nossa civilização, despindo-a até aos seus alicerces, e vejamos se podemos construir uma mais bonita.

À medida que a Covid desperta a nossa compaixão, cada vez mais pessoas percebem que não querem voltar a um normal onde ela dolorosamente não exista. Agora temos a oportunidade de criar um novo normal, mais solidário.
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Durante muito tempo, nós, como coletivo, ficámos impotentes perante uma sociedade cada vez mais doentia. Seja a saúde ou a infraestrutura em declínio, a depressão, o suicídio, os vícios, a degradação ecológica ou a concentração de riqueza, é fácil perceber os sintomas de mal-estar civilizacional no mundo desenvolvido, mas nós permanecemos presos aos sistemas e padrões que os criam. Hoje, a Covid presenteia-nos com a possibilidade de um reset.

Um milhão de caminhos bifurcados está diante de nós. O rendimento básico incondicional poderia significar o fim da insegurança económica e o florescimento da criatividade, à medida que milhões são libertados do trabalho que a Covid nos mostrou ser menos necessário do que pensávamos. Ou também poderia significar, com a dizimação de pequenas empresas, a dependência face ao Estado a troco de uma bolsa que vem com condições rigorosas. A crise poderia conduzir ao totalitarismo ou à solidariedade; à lei marcial médica ou ao renascimento holístico; a maior medo do mundo microbiano ou a uma maior resiliência na participação nele; a normas permanentes de distanciamento social ou a um desejo renovado de se unir.

O que pode guiar-nos, como indivíduos e como sociedade, enquanto caminhamos no jardim dos caminhos bifurcados? Em cada entroncamento, podemos estar cientes do que seguimos: medo ou amor, autopreservação ou generosidade. Devemos viver com medo e construir uma sociedade baseada nele? Devemos viver para preservar os nossos seres separados? Devemos usar a crise como uma arma contra os nossos inimigos políticos? Estas não são perguntas do tipo tudo ou nada, medo ou amor. Elas têm a ver, sim, com uma próxima etapa em direção ao amor que está diante de nós. Parece ousado, mas não imprudente. Trata-se de um movimento que valoriza a vida, enquanto aceita a morte. E confia que, a cada passo, o seguinte se tornará visível.

Por favor, não pense que a escolha do amor sobre o medo pode ser realizada apenas através de um ato de vontade, e que esse medo também pode ser vencido como um vírus. O vírus que enfrentamos aqui é o medo, seja o medo da Covid-19 ou o medo da resposta totalitária, e esse vírus também tem o seu terreno. O medo, juntamente com o vício, a depressão e uma série de males físicos, frutifica num terreno de separação e trauma: trauma herdado, trauma de infância, violência, guerra, abuso, negligência, vergonha, punição, pobreza e também o trauma normalizado e silencioso que afeta quase todos os que vivem numa economia monetizada, que passam por uma educação moderna ou que vivem sem comunidade ou conexão com o local. Esse terreno pode ser alterado pela cura do trauma ao nível pessoal, pela mudança sistémica em direção a uma sociedade mais solidária e pela transformação da narrativa básica da separação: o eu separado num mundo de Outro, eu separado de ti, a humanidade separada da natureza. Estar sozinho é um medo primordial, e a sociedade moderna foi-nos deixando mais e mais sozinhos. Mas a hora do Encontro chegou. Cada ato de compaixão, bondade, coragem ou generosidade cura-nos da história da separação, porque garante ao ator e à testemunha que todos estão juntos.

Concluirei invocando mais uma dimensão da relação entre humanos e vírus. Os vírus são parte integrante da evolução, não apenas dos humanos, mas de todos os seres vivos eucariotas. Os vírus podem transferir DNA de organismo para organismo, por vezes inserindo-o na linha germinal (onde se torna herança genética). Conhecido como transferência horizontal de genes, este é um mecanismo primário de evolução, permitindo que a vida evolua dessa união muito mais rapidamente do que seria possível através de mutações aleatórias. Como Lynn Margulis referiu, nós somos os nossos vírus.

E com isto gostaria de me aventurar em território especulativo. Talvez as grandes doenças da civilização tenham acelerado a nossa evolução biológica e cultural, fornecendo informações genéticas importantes e oferecendo iniciação individual e coletiva. Será que a pandemia atual não poderia ser exatamente isso? Novos códigos de RNA estão a espalhar-se de humano para humano, imbuindo-nos com novas informações genéticas; ao mesmo tempo, estamos a receber outros “códigos” esotéricos que se escondem por trás dos biológicos, perturbando os nossos sistemas e narrativas da mesma maneira que uma doença perturba a fisiologia corporal. O fenómeno segue o modelo da iniciação: separação da normalidade, seguido por um dilema, colapso ou prova, seguido (se for para ser completo) por reintegração e celebração.

Mas aqui surge a pergunta: iniciação em quê? Quais são a natureza e os objetivos específicos dessa iniciação? O nome popular da pandemia oferece uma pista: coronavírus. Corona significa coroa. "Nova pandemia de coronavírus" significa "uma nova coroação para todos".

Podemos já sentir o poder daqueles em que nos podemos tornar. Um verdadeiro soberano não teme nem vida nem morte. Um verdadeiro soberano não domina ou conquista (o que é próprio de um arquétipo das sombras, o Tirano). O verdadeiro soberano serve as pessoas, serve a vida e respeita a soberania de todos os povos. A coroação marca a emersão do inconsciente na consciência, a cristalização do caos na ordem, a transcendência da compulsão para a escolha. Tornamo-nos os governantes daquilo que nos havia governado. A Nova Ordem Mundial que os teóricos da conspiração temem é uma sombra da possibilidade gloriosa disponível para seres soberanos. Deixando de ser vassalos do medo, podemos trazer ordem ao reino e construir uma sociedade intencional com base no amor que brilha já através das fissuras do mundo da separação.»

Fonte: The Coronation, Charles Eisenstein, março 2020; tradução de Fabio Marinho, abril 2020.

Publicado em Sustentabilidade é Acção 21/4/2020