Eis-nos aqui
« Eis-nos aqui Aqui estamos, aqui chegamos. Há cinquenta anos que essa turbulência ameaça os altos-fornos da incúria da humanidade, ai estamos. Sobre o muro, à beira do abismo, como só o homem pode fazer de maneira brilhante, que só percebe a realidade quando ela o magoa. Como a nossa boa e velha cigarra, a quem emprestamos as nossas qualidades despreocupadas. Nós cantamos, dançamos. Quando digo "nós", quero dizer um quarto da humanidade, enquanto o resto estava lutando. Construímos uma vida melhor, deitamos os nossos pesticidas na água, nossos fumos no ar, conduzimos três carros, esvaziamos as minas, comemos morangos vindos do fim do mundo, viajamos em todos os sentidos, iluminamos as noites, usamos sapatos de ténis que brilham quando andamos, engordamos, molhamos o deserto, acidificamos a chuva, criamos clones, francamente, podemos dizer que nos divertimos muito. Conseguimos truques absolutamente surpreendentes, muito difíceis, como derreter iceber...