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De que somos feitos

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Reflexões sobre a dualidade que nos é intrínseca, sobre as nossas vidas equilibradas (ou desequilibradas) entre o quotidiano e a imaginação, sobre quem queríamos ser e quem realmente somos. A primeira, extraída do texto que  Leonardo Boff publicou hoje no seu blogue, cuja leitura integral recomendo vivamente:  " Em nós estão todas as memórias do universo ",  « ...  Como esta estrutura concretamente se dá em nós? Antes de mais nada, pelo cotidiano. Cada qual vive o seu cotidiano que começa com a toillete pessoal, o jeito como mora, o que come, o trabalho, as relações familiares, os amigos, o amor. O cotidiano é prosaico e, não raro, carregado de desencanto. A maioria da humanidade vive restrita ao cotidiano com o anonimato que ele envolve. É o lado da ordem universal que emerge na vida das pessoas. Mas os seres humanos são também habitados pela imaginação. Ela rompe as barreiras do cotidiano e busca o novo. A imaginação é, por essência, fecun...

O aumento das desigualdades

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« A democracia tem por pressuposto básico a igualdade de direitos dos cidadãos e o combate aos privilégios. Quando a desigualdade é ferida, abre-se espaço para o conflito de classes, a criação de elites privilegiadas, a subordinação de grupos, a corrupção, fenómenos visíveis em nossas democracias de baixíssima intensidade. ... Livro e Thomas Piketty (imagem composta daqui e daqui ) Piketty não vê caminho mais curto para diminuir as desigualdades do que a severa intervenção do Estado e da taxação progressiva da riqueza, até 80%, o que apavora os super-ricos. Sábias são as palavras de Eric Hobsbown: “O objetivo da economia não é o ganho mas sim o bem-estar de toda a população; o crescimento económico não é um fim em si mesmo, mas um meio para dar vida a sociedades boas, humanas e justas”. » Estes é um extrato do texto de Leonardo Boff referindo-se ao livro de Thomas Piketty   " O capital no século XXI " (2013) e às críticas acérrimas de que tem sido alvo (co...

O funesto império mundial das corporações (Leonardo Boff)

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Para começar o ano de 2014,  trago para aqui um  recente texto de  Leonardo Boff , publicado no seu site no passado dia 28/12/2013, com uma reflexão sobre a principal causas do mau estado deste mundo - o capitalismo predatório das grandes multinacionais - que cada um de nós ajuda a manter ao comprar os seus produtos sem tentar questionar a sua origem ou a sua real necessidade  (negritos e links meus) : O funesto império mundial das corporações por Leonardo Boff Imagem obtida aqui « O individualismo, marca registrada da sociedade de mercado e do capitalismo como modo de produção e sua expressão política o (neo)liberalismo, revelam toda sua força mediante as corporações nacionais e multinacionais. Nelas vigora cruel competição dentro da lógica do ganha-perde. Pensava-se que a crise sistêmica de 2008 que afetou pesadamente o coração dos centros econômico-financeiros nos USA e na Europa, lá onde a sociedade de mercado é dominante e elabora as estratégias...

"Tudo parece impossível até que seja feito"

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" Tudo parece impossível até que seja feito. " Nelson Mandela O pequeno vídeo que se segue foi realizado em junho 2013 com a ajuda de ativistas de todo o mundo, durante a convergência " Global Power Shift " organizada pelo movimento 350.org ,  inspirado na coragem, determinação e generosidade de Nelson Mandela. Imagem obtida aqui Também em homenagem a Nelson Mandela,  recomendo a  leitura do artigo de  Leonardo Boff  intitulado " O significado de Mandela para o futuro ameaçado da humanidade ", de 7/12/2013. Desse texto, fica aqui um pequeno extrato, que  refere a um sentimento ou estado de alma chamado "ubuntu ", uma palavra africana estranha para nós, cujo significado precisa urgentemente de deixar de ser estranho. « Nelson Mandela, com sua morte, mergulhou no inconsciente coletivo da humanidade para nunca mais sair de lá porque se transformou num arquétipo universal, do injustiçado que não guardou rancor, que soube perdoar...

Leonardo Boff: "Responsabilidade coletiva face ao futuro da espécie humana"

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Mais um excelente texto de Leonardo Boff  (de 10/5/2013), que não podia deixar de trazer até aqui: « Responsabilidade coletiva face ao futuro da espécie humana GAIA, por Frida Kahlo ( obtida aqui ) Numa votação unânime de 22 de abril de 2009 a ONU acolheu a idéia, durante muito tempo proposta pelas nações indígenas e sempre relegada, de que a Terra é Mãe. Por isso a ela se deve o mesmo respeito, a mesma veneração e o mesmo cuidado que devotamos às nossas mães. A partir de agora, todo dia 22 de abril não será apenas o dia da Terra mas o dia da Mãe Terra. Esse reconhecimento comporta consequências importantes. A mais imediata delas é que a Terra viva é titular de direitos. Mas não só ela, mas também todos os seres orgânicos e inorgânicos que a compõem; são, cada um a seu modo, também portadores de direitos. Vale dizer, cada ser possui valor intrínseco, como enfatiza a Carta da Terra, independentemente do uso ou não que fizermos dele. Ele tem direito de existir e de...

Cegueira ingénua ou propositada?

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Texto extraído do artigo de  Leonardo Boff :   Insuficiências conceptuais da Rio+20 « Não corresponde à realidade dizer que a Rio+20 foi um sucesso. Pois não se chegou a nenhuma medida vinculante nem se criaram fundos para a erradicação da pobreza nem mecanismos para o controle do aquecimento global. Não se tomaram decisões para a efetivação do propósito da Conferência que era criar as condições para o “futuro que queremos”. É da lógica dos governos não admitirem fracassos. Mas nem por isso deixam de sê-lo. Dada a degradação geral de todos os serviços ecossistêmicos, não progredir significa regredir. Imagem obtida em Oxfam No fundo, afirma-se: se a crise se encontra no crescimento, então a solução se dá com mais crescimento ainda. Isso concretamente significa: mais uso dos bens e serviços da natureza o que acelera sua exaustão e mais pressão sobre os ecossistemas, já nos seus limites. Dados dos próprios organismos da ONU dão conta que de desde a Rio 92 houve uma p...

"Economia verde versus Economia solidária " - Leonardo Boff

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Leonardo Boff é uma das vozes que vem "gritando" contra o sistema económico e social de hoje, contra o capitalismo predatório de recursos naturais que enfraquece as sociedades humanas, contra a criminosa distribuição de riqueza que o sistema implica, e que tem defendido que só há futuro para a humanidade se mudarmos de era: se passarmos da era antropozoica para a era ecozoica. Mas não é com a " economia verde " assente no mesmo sistema de capitalismo predatório e injusto que vamos lá.  A poucos dias da Cimeira Rio+20, depois da opinião de Vandana Shiva e da Campanha das Sementes Livres , não podia aqui faltar a crítica de Leonardo Boff sobre  o Documento Zero da ONU para a Rio+20 e sobre o futuro que realmente queremos: Imagem obtida em envolverde « Economia verde versus Economia solidária   (04/06/2012) por Leonardo Boff O Documento Zero da ONU para a Rio+20 é ainda refém do velho paradigma da dominação da natureza para extrair dela os maiores ...

"Como enfrentar a sexta extinção em massa?" por Leonardo Boff

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Imagem obtida em Ciência Diária -  " Pesquisadores afirmam que Terra caminha para 6ª extinção em massa " Como enfrentar a sexta extinção em massa? por Leonardo Boff , 26/02/2012 « Referimo-nos anteriormente ao fato de o ser humano, nos últimos tempos, ter inaugurado uma nova era geológica – o antropoceno – era em que ele comparece como a grande ameaça à biosfera e o eventual exterminador de sua própria civilização. Há muito que biólogos e cosmólogos estão advertindo a humanidade de que o nível de nossa agressiva intervenção nos processos naturais está acelerando enormemente a sexta extinção em massa de espécies de seres vivos . Ela já está em curso há alguns milhares de anos. Estas extinções, misteriosamente, pertencem ao processo cosmogênico da Terra. Nos últimos 540 milhões de anos ela conheceu cinco grandes extinções em massa, praticamente uma em cada cem milhões de anos, exterminando grande parte da vida no mar e na terra. A última ocorreu há 65 milhões de ...

"Outro paradigma: escutar a natureza", por Leonardo Boff

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« Agora que se aproximam grandes chuvas, inundações, temporais, furacões e deslizamentos de encostas temos que reaprender a escutar a natureza. Toda nossa cultura ocidental, de vertente grega, está assentada sobre o ver. Não é sem razão que a categoria central – idéia – (eidos em grego) significa visão. A tele-visão é sua expressão maior. Temos desenvolvido até os últimos limites a nossa visão. Penetramos com os telescópios de grande potência até a profundidade do universo para ver as galáxias mais distantes. Descemos às derradeiras partículas elementares e ao mistério íntimo da vida. O olhar é tudo para nós. Mas devemos tomar consciência de que esse é o modo de ser do homem ocidental e não de todos. Outras culturas, como as próximas a nós, as andinas (dos quéchuas e aimaras e outras) se estruturam ao redor do escutar. Logicamente eles também veem. Mas sua singularidade é escutar as mensagens daquilo que veem. O camponês do antiplano da Bolívia me diz: “eu escuto a natureza, eu...

"A ilusão de uma economia verde" - por Leonardo Boff

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Imagem obtida em EcoSaveWorld A ilusão de uma economia verde por Leonardo Boff ,  16/10/2011 " Tudo o que fizermos para proteger o planeta vivo que é a Terra contra fatores que a tiraram de seu equilíbrio e provocaram, em conseqüência, o aquecimento global é válido e deve ser apoiado. Na verdade, a expressão “aquecimento global” esconde fenômenos como: secas prolongadas que dizimam safras de grãos, grandes inundações e vendavais, falta de água, erosão dos solos, fome, degradação daqueles 15 entre os 24 serviços, elencados pela Avaliação Ecossistêmica da Terra (ONU), responsáveis pela sustentabilidade do planeta (água, energia, solos, sementes, fibras etc). A questão central nem é salvar a Terra. Ela se salva a si mesma e, se for preciso, nos expulsando de seu seio. Mas como nos salvamos a nós mesmos e a nossa civilização? Esta é real questão que a maioria dá de ombros, especialmente os que tratam da macroeconomia. A produção de baixo de carbono, os produtos orgâ...

"Crise Terminal do Capitalismo?" - por Leonardo Boff

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Imagem: site de Leonardo Boff Para ler e reflectir, o artigo de Leonardo Boff , teólogo, escritor e professor universitário brasileiro, publicado no dia 28/06/2011 em Mercado Ético : Crise terminal do capitalismo? Por Leonardo Boff "Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação. A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas ...

A transição vista por Leonardo Boff

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" A difícil passagem do tecnozóico ao ecozóico por Leonardo Boff , Fevereiro 2011 As grandes crises comportam grandes decisões. Há decisões que significam vida ou morte para certas sociedades, para uma instituição ou para uma pessoa. A situação atual é a de um doente ao qual o médico diz: ou você controla suas altas taxas de colesterol e sua pressão ou vai enfrentar o pior. Você escolhe. A humanidade como um todo está com febre e doente e deve decidir: ou continuar com seu ritmo alucinado de produção e consumo, sempre garantindo a subida do PIB nacional e mundial, ritmo altamente hostil à vida, ou enfrentar dentro de pouco as reações do sistema-Terra que já deu sinais claros de estresse global. Não tememos um cataclisma nuclear, não impossível mas improvável, o que significaria o fim da espécie humana. Receamos isto sim, como muitos cientistas advertem, por uma mudança repentina, abrupta e dramática do clima que, rapidamente, dizimaria muitíssimas espécies e colocaria sob g...

Leonardo Boff - Um design ecológico para a democracia

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Nada como começar o mês de Julho com um texto de Leonardo Boff , que encontrei no blogue parceiro Minha Casa Meu Mundo da minha amiga Liete Alves do outro lado do oceano. Aqui vai: " Um design ecológico para a democracia A democracia é seguramente o ideal mais alto que a convivência social historicamente elaborou. O princípio que subjaz à democracia é este:" o que interessa a todos, deve poder ser pensado e decidido por todos". Ela tem muitas formas, a direta. como é vivida na Suiça, na qual a população toda participa nas decisões via plebiscito. A representativa, na qual as sociedades mais complexas elegem delegados que, em nome de todos, discutem e tomam decisões. A grande questão atual é que a democracia representativa se mostra incapaz de recolher as forças vivas de uma sociedade complexa, com seus movimentos sociais. Em sociedades de grande desigualdade social, como no Brasil, a democracia representativa assume características de irrealidade, quando não de far...

Carta da Terra para o Dia da Terra

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" Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida ." in Carta da Terra Visite e leia o texto da Carta da Terra , que completa uma década este ano. E para finalizar esta sinalização do Dia da Terra, que se comemora a 22 de Abril, leia, abaixo, um extracto de um texto de Leonardo Boff . "(...) O que, entretanto, nos falta é uma Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade que coordene as consciências e faça convergir as diferentes políticas. Até agora nos limitávamos a pensar no bem comum de cada país. Alargamos o horizonte ao propor uma Carta dos Direitos Humanos. Esta foi a grande luta cultural do século XX. Mas agora emerge a preocupação pela Humanidade como um todo e pela Terra, entendida não como algo inerte, mas como um superorganismo vivo do qual nós humanos somos sua expressão c...