Casas em palha
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Imagem de http://ecohomeresource.com/ |
Em termos construtivos, não há qualquer dúvida de que o século XX foi o século do betão, que alavancou a arquitectura modernista e a pós-modernista. Mas estamos no século XXI, e o betão já provou ser um material pouco amigo do ambiente e de elevada pegada ecológica. A par do fim da construção desenfreada que se verificou nas últimas décadas, começam a reaparecer técnicas construtivas simultâneamente ancestrais e inovadoras, como construções em terra (taipa ou adobe) e mesmo em fardos de palha.
Na 2ª sessão, dedicada a Materiais, nas Jornadas de Arquitectura Sustentável promovidas pela Quercus, o Arq. Vítor Varão apresentou técnicas construtivas com estes materiais. Como conhecia o uso da taipa e do adobe, a construção em fardos de palha foi uma agradável surpresa, pois as características destas construções são muito melhores do que poderia supor.
Começam pelo baixo custo e sustentabilidade do material de construção, pois além de a palha ser barata e de ser um material residual na produção de cereais, as casa em palha são passíveis de auto-construção, desde que com alguma investigação e ajuda de quem já tem prática.
As propriedades térmicas e acústicas são excelentes, não há necessidade de qualquer material de isolamento extra.
Desde que bem executada, a resistência ao fogo é superior à das construções em betão (surpresa!).
A durabilidade é também uma vantagem, desde que o revestimento (em argila ou cal) seja bem executado. Existem casas de palha com 70 anos, duração que é a previsível como esperança de vida das construções em betão.
A estrutura destas construções pode ser autoportante (os próprios fardos de palha suportam a cobertura) ou podem ser usadas estruturas em madeira ou outros materiais.

Vejam também a reportagem da euronews "Rendidos às casas de palha".
Mais informações e vídeos sobre construção em fardos na rede ning criada por Christopher Ripley - Global Strawbale Community, no seu blogue Straw Bale House at Quinta dos Melro ou na página StrawBale.com.
Parece que a história dos 3 porquinhos foi mal contada, vamos ter de a reformular!
Que máximo!!!!
ResponderEliminarFantástico !
ResponderEliminarEstou com o queixo no chão !
Desconhecia de todo este tipo de construção.
Que coisa magnífica.
impressionante!
ResponderEliminarquero uma!
Na minha área de trabalho os materiais usados na construção são tema recorrente. E a realidade é que estudos mais recentes têm vindo a referir que o betão, para lá da questão ecológica que é fundamental, como refere, não é tão resistente como se supunha (aliás a sua utilização faz-se, em termos históricos, há muito pouco tempo). Os materiais tradicionais são, de longe, pelo menos em reabilitação, os que melhor comportamento apresentam.
ResponderEliminarMaravilhosa! Em tempos de mudanças climáticas acho que estas são "as casas"!
ResponderEliminarBeijo
Ana: o máximo, mesmo !
ResponderEliminarEduardo: só pelo seu comentário, já valeu a pena o "post" :)
ResponderEliminarPedro: eu também quero... se um dia mudar para uma casa, há-de ser para uma em palha :)
ResponderEliminarAnalima: sem dúvida que os materiais naturais são os mais sustentáveis, desde que não se use materiais exóticos ou importados do outro lado do mundo.
ResponderEliminarOs antigos sabiam construir sustentavelmente, no entanto, o sec. XX fez perder esse saber, que agora se recupera aliado à ciência.
Liete: também acho :) Beijinhos
ResponderEliminarÓtimo post, realmente o que é preciso é divulgar os diversos materiais de construção (que são uma infinidade deles) alternativos ao monopólio do betão.
ResponderEliminarA última construção que fiz na minha casa, foi toda em madeira local (criptoméria) altamente resistente a climas húmidos como o dos Açores e que é efectivamente replantada continuamente (é de crescimento rápido). Como tenho terra, plantei uma quantidade destas árvores de maneira a repor o meu "roubo" ao ambiente. E continuarei a plantar mais algumas.
Claro que em cidades é mais difícil, mas de qq maneira, se se tiver em pensamento a sustentabilidade, com certeza que o impacto de tudo seria bastante menor.
Haja pensamentos "sutentáveis" a todo o nível!
Viva a Vida
Sim senhor. Fiquei fascinado com este tipo de construção e estou sériamente a pensar no assunto para a minha futura casa.
ResponderEliminarFantástico.
Recebi hoje este comentário, precisamente do arquitecto que falou na conferência sobre as Casas em Palha:
ResponderEliminar"Tentei colocar esta mensagem no blog mas fica para si se a quiser publicar pode
Como é bom ver as pessoas apreensivas sobre os velhos ou melhor novos e eficientes materiais.
Este é o meu contributo e espero que estas informações passem muito e por muitas pessoas para que possamos melhorar o planeta que habitamos.
A necessidade de divulgação é importante, não fiquem passivos.
Tive pena pois efectuei aí em Famalicão a comunicação sobre
arquitectura Sustentável onde falei da construção de casas de palha, se tivesse conhecimento poderia tê-la convidado mas não faltarão oportunidades.
Sou também docente aí na Universidade Lusíada de Famalicão pois se algum dia quiser falar sobre o tema contacte.
Atenciosamente
Vitor Varão"
Boa noite! bom saber que já se fazem ou pretendem fazer algumas destas casas em Portugal. Vinha saber se já existe alguma e por que processos de licenciamentos passou. É dificil a aprovação na camara municipal? os projectos de arquitetura e especialidades podem ser feitos por qualquer arquiteto e engenheiro?
ResponderEliminarSem duvida um metodo bastante interessante.
Obrigado pela atenção e parabens pelo blog!
SSS
ResponderEliminarNão deve haver muitos casos em Portugal,mas suponho que há alguns.
Poderá obter mais informações através do Christopher e da Vera Ripley, da Quinta dos Melros nos blogues http://strawbalehouseportugal.blogspot.com/ e http://www.quintadosmelros.org/ ou no grupo de Bioconstrução dentro da Rede Transição e Permacultura Portugal (http://permaculturaportugal.ning.com/group/bioconstruo).
Quanto ao licenciamento nas Câmaras Municipais, o procedimento é idêntico ao de uma construção comum (os mesmos projectos, as mesmas peças); em relação às habilitações dos técnicos, a mesma coisa, desde que, claro, percebam do assunto, e possam, assim, assumir a responsabilidade.
Obrigada pela visita e pelo comentário :)
@ Manuela Araújo,
EliminarJá lá vão 10 anos desde que postou esta informação e escreveu estes comentários. Muito obrigado primeiro que tudo. Não sei se vai ler este comentário meu, mas gostava de lhe colocar uma questão. Não sei qual é a sua área de formação, mas gostava de lhe perguntar em relação ao licenciamento. Estou a planear construir uma casa com fardos de palha e estrutura em madeira daqui a dois anos, e a minha dificuldade neste momento tem a ver com os códigos de construção que não fazem referência a construção com materiais naturais como a palha. Pelo que percebi do seu comentário, para além das decisões das câmaras o mais importante é encontrar um técnico, por ventura um engenheiro civil, que esteja informado em relação á construção com palha que assine o projeto. É isto? Vi agora que é a autora do blog. Muitos parabéns!!!
Muito obrigado.
Muito obrigada @t
EliminarEm breve volto aqui.
curso para aprender a construir casas de palha setembro perto do vimeiro. para mais informações 912929479
ResponderEliminarBranwen, obrigada, é uma boa notícia.
ResponderEliminarNão quer deixar mais alguma informação aqui?