17 anos: e o futuro?

Rob Hopkins na Póvoa de Varzim, 15/10/2024
17 anos depois de criar este blogue, venho cá dizer um olá, é a primeira vez este ano. Já pouco sentido me faz publicar algo aqui.  Como cada vez menos me faz sentido este mundo em que estamos a viver. Nasci nos anos 60, e tive a sorte de viver a maior parte da minha vida num tempo de paz e de democracia - pelo menos por cá.

A paz no mundo é cada vez mais uma miragem. Meia dúzia de ditadores egocêntricos e doentes mentais estão a promover a indústria da guerra, a matar e destruir em grande escala - pessoas, cidades, natureza. Provocam o caos, desacreditam as instituições. Alguns bilionários estão cada vez mais ricos à custa de cada vez mais gente com menos posses. Os desequilíbrios económicos são assustadores. A inteligência artificial está a eliminar o trabalho - não o físico, mas o intelectual, e a tornar-se altamente perigosa. Uma parte considerável dos jovens não entendem o que significa a perda de democracia, e deixam-se influenciar por discursos populistas, enganadores e que promovem a separação. Os governos continuam a quase nada fazer para defender a natureza e mitigar as alterações climáticas.


Espero que o mundo acorde. Estou desanimada, mas não desisto. Sei que há imensos bons exemplos a acontecer pelo mundo fora. Mas é preciso muito mais. Muito mais gente consciente. Muito mais gente envolvida. Muitos mais governos a defender a democracia, a paz e a igualdade de oportunidades, e a pensar verdadeiramente no futuro.

Talvez já não se vá a tempo. Talvez tenhamos de chegar ao fundo do poço. Talvez esta civilização tenha de acabar. Que futuro queremos? Não é de certeza aquele para onde estamos a ir.

Gostava de ter a força anímica de Rob Hopkins, o criador do movimento de Transição, que "foi ao futuro e viu que nós vencemos". Pelos jovens, pelas crianças, pelos que ainda vão nascer, quero muito que ele tenha razão.

Vamos lá imaginar o futuro que queremos e fazer o caminho para lá chegar?


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