A fome
Nós que temos o que comer todos os dias, não imaginamos o que é a fome. No entanto, uma em cada seis pessoas no mundo, não têm alimento suficiente para ter saúde. Cerca de 1020 milhões de pessoas vivem em fome crónica.

Por isso hoje, deixo aqui um texto retirado do tocante livro "Tudo o que eu tenho trago comigo" de Herta Müller, Prémio Nobel da Literatura 2009, e a premiada curta-metragem "Ilha da Flores", de Jorge Furtado, 1989, que a Fada do Bosque sugeriu e que eu agradeço.
"É estranho, quando a erva começa a tingir-se e há muito se tornou intragável é que é verdadeiramente bela. Deixa-se então ficar quieta na berma da estrada, protegida pela sua beleza. Passou o tempo de comer erva. Mas não a fome, que é sempre maior do que nós próprios. O que é que se pode dizer da fome crónica. Pode-se dizer que há uma fome que te põe doente de fome. Que se vem juntar sempre mais faminta à fome que já se tem. A fome sempre nova, que cresce insaciável e se lança em salto mortal para dentro da fome eternamente velha, a custo dominada. Como é que uma pessoa anda por este mundo, quando sobre si nada mais sabe dizer, a não ser que tem fome. Quando já não consegue pensar noutra coisa. O céu-da-boca é maior que a cabeça, alto e de ouvido aguçado até ao cocuruto do crânio, uma cúpula. Quando já não se aguenta a fome, o céu-da-boca retesa-se, como se nos tivessem esticado atrás da cara uma pele de lebre recente a secar. As faces murcham e cobrem-se de pálida penugem." Herta Müller, em "Tudo o que eu tenho trago comigo" ("Atemschaukel"), tradução de Aires Graça, Junho 2010, D.Quixote
Se quiser ajudar a minorar a fome, visite a página Ser Solidário e actue. Podemos sempre dizer que mais vale ensinar a pescar do que dar o peixe. Mas não se consegue ensinar aqueles que já morreram de fome a pescar. E será que os que governam o mundo pensam nisto?
Um bom tema,
ResponderEliminarÉ preciso abanar as consciências para acordarem e verem claro.
Sugiro uma c«visita ao post que se relaciona com este assunto:
ONU Paz e Justiça Social global
Abraço
João
Do Miradouro
Não, não pensam!
ResponderEliminarNão sou de baixar os braços, mas sinto-me numa luta desigual, numa luta sem resultados à vista, sem políticas que mostrem vontade de resolver/minimizar este problema.
Que desencanto por estes governantes, estes senhores do mundo! Que mágoa, que raiva, que vergonha por existirem homens (serão?) responsáveis pela vida, pela sobrevivência de outros Homens, e que nada fazem.
Beijinho.
Este filme foi-me partilhado por um amigo do FB, Antoine Proença, ex activista da Greenpeace. Embora não esteja no activo, nunca baixa os braços! o mesmo acontece connosco.. há que fazer valer os nossos Direitos e um deles é o protesto e nunca baixar os braços... denunciar.
ResponderEliminarObrigada Nela, pelo excelente post.
Já está!
ResponderEliminarUf, se por acaso não passasse por aqui hoje nunca me perdoaria.
Manuela, posso deixar um grande abraço à Fada?
Estava a ver que nunca mais te via, Guerreira! Já viste as tuas coisas lindas que postei no Crónicas?!
Abraço para ambas.
Olá caro A. João Soares
ResponderEliminarEste vídeo, apesar de ter mais de 20 anos, continua a abanar consciências, mas é pena que seja só daqueles que estão predispostos a vê-lo...
Quanto à ONU, que deveria ser a balança do mundo, contribuindo para o seu equilíbrio, é como diz no texto, está manietada pelos detentores do poder económico, quase tanto com o estão os governantes dos países.
Temos de ser nós, o povo, a abrir os olho e a exigir mudança. Mas só poderemos exigir mudança depois de percebermos o mal que vai o mundo, pois a maioria está longe de querer ver isso.
Vai devagar, devagar demais...
Obrigada pelo seu contributo, e um abraço
Olá Fada, bem vinda de volta :)
ResponderEliminarObrigada pelo vídeo, que não conhecia e sobre o qual aguardei que fizesses o texto (post). Como não o fizeste, acabei por aceitar a tua sugestão de o fazer eu, socorrendo-me de uma das descrições da "fome" que Herta Muller tão dura e poeticamente faz no livro referido.
Tanta gente a sofrer uma dor inimaginável, e não há meio de os governantes estabelecerem acabar com a fome como a primeira das primeiras prioridades!
Obrigada e um beijinho
Olá Teresa
ResponderEliminarConcordo consigo, é uma luta desigual, que nos traz um desencanto tamanho com as políticas e os políticos... Mas nada de baixar os braços, como diz o Octávio Lima do blogue Ondas 3: "Só os peixes mortos seguem com a corrente". E nós estamos vivas!
Muito obrigada pelo voto e pelas palavras de apoio :)
Beijinhos